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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Entre o Céu e a Terra

Entre o Céu e a Terra

João Carlos

O pensamento que leva ao infinito... simula as diversas vidas; 
No horizonte, onde o céu e a terra se acham... não há alcance;
O ser humano se perde em seus objetivos e divaga;
Na busca de sentido, volta-se à idade das trevas... não há salvação.

A vida precisa ser vivida... não a eterna... a terrena;
A cada minuto, vivemos o minuto que virá... e perdemos o momento;
No afã de ser perene... a humanidade perece;
Vivemos a idade da desilusão... A fé a serviço do capital.

A era da tecnologia... não mudou a natureza assassina;
Guerras incentivadas pelo poder demente... traz a desgraça;
E quem não nasce para jogar... sofre do jogo, seu lado mais lúgubre;
A esperança de gado.

Não há mais revoluções... todas se desnudaram, revelaram-se ignóbeis.
O século XXI ... deveria ser de Luz;
Os genocídios se proliferam... a crueldade está tão em moda;
O homem procura no universo um refúgio eugênico.

A falsa moral humana se afunda... não há o que esconder;
O fundamentalismo insano... demonstra sua alucinação;
O perigo está no ar - no mar - na terra - no céu;
O que nos limita ao apocalipse: redençao final - renascimento. 





terça-feira, 26 de março de 2013

Na noite... em luar


No meio de tantas canções, te descobri... nua
talvez a lua tenha me inspirado...
não assim, assim... só em noites especiais
Vc que na vida... vive... um belo começo
E eu que... vivo mais... fazendo-te sorrir
Feliz... por descobrir-te em outra vida
Quem dera ser poeta
Para te prosear em letras e sentimentos
Talvez em canções
Talvez no silêncio, apenas
talvez sinta... talvez pense... talvez transceda
e eleve os pensamentos... e os desejos
Uma viagem na noite em luar
E... em sua experiência nasce a beleza
Em sua força, o novo
A criação te traz à vida... a vida
Ímpar... ao sabor da brisa na madrugada
Única... ainda que universal.

domingo, 3 de março de 2013

Extrato de um sonho!

O lugar é o mesmo... uma lembrança atual... Novos senhores, velhas práticas.
O quintal... este, já não é o mesmo... parece tão pequenino agora.
As lembranças presentes, lúcidas como nunca, remetem à infância.
Na parte da casa da Vó, a romãzeira, o limoeiro, o abacateiro, o dendezeiro... e as bananeiras.
As bananeiras eram multifuncionais... mas não aparecem protagonistas no sonho.
O dendezeiro sim... ao seu redor, uma peste... galinhas ainda jovens, esticadas ao chão.
Sem ser convidado... um seminovo poderoso impõe lições e ações... que intrujão!
Esta parte, carece de uma reflexão mais aprofundada! 
O que o infame estava ali a fazer? Qual o sentido daquilo?
Os abacates não aparecem nítidos, nem do lado do vizinho.
O limoeiro, parecia carregado com a velha praga, só folhas amarelas.
A romãzeira, escondia-se no tempo, sem se fazer lembrar ao certo, mas estava lá.
No lado de minha velha, o coqueiro, a parreira, eram os mais presentes...
O esgoto das águas da pia, azulados pelo sabão, corriam num cano envelhecido...
Novamente, a figura meirinha do novo tutor... aparece em riste...
O quartinho do camarão ainda exala seu aroma inconfundível...
O coqueiro... ahhh o coqueiro, este deveria ser anão...
Mas, só deu frutos depois de gigante...
Ao seu redor os castelos rivais, se confrontavam...
Sempre defendidos por guerreiros de "cascos" de peguary...
A parreira, esta sim, sempre carregada de uvas verdes, ácidas
"Encharcando" de água o céu da boca... só de pensar...
Na sua sombra, uma bateria de latas de todo tipo...
Fazia o som das tardes de solidão... estas ficaram no passado...
Não enriqueceram o sonho... 
Que, de tão intrigante... Me fez matutar um pouco, nesta manhã que gorjeia.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O Cassino


O CASSINO
João Carlos

Estava a ler Jorge Luis Borges, e seu saudosismo... Que juvenil. O tempo em que não precisava de passaporte pra cruzar o mundo, que, sempre em guerra, preservava valores mais profícuos.
O mundo virou um Cassino afinal, eis a constatação. Os valores foram ficando para trás, subsistem apenas como moeda de opressão pra manter subjugado os fiéis carregadores de piano – o povo. Falo do valor humanístico, natural. Mas, o que importa afinal? O povo, este vive ao labor da tecnologia, embebecido pelo consumismo e embalado pelas novelas fantasistas do horário nobre. Isto basta. A revelação da consciência ainda não está por vir, e o pior, parece recrudescer numa nova era das trevas. O iluminismo se opaca, e os pensantes não veem saída. Nada de muito revolucionário depois de Marx, seu panteão, com a devida vênia, permanece referência para adulações e adorações, golpes e revoluções, teorias e maldições.
O cassino em que vivemos, tem em seu jogo, tudo valer... tudo se corrompe. A liberdade não passa de uma transação verborrágica que ilude e condena, aliás, como todas as bandeiras libertárias, foi engambelada por uma burguesia sempre inovada ao domínio, a manutenção do status quo, a ressurreição continuada do capitalismo. E neste cassino, lutamos em várias frentes: para despertar da ilusão das facilidades, para iluminar nossas mentes em desuso e fatigadas de publicidade do consumo, para recuperar a essencialidade da vida... a natureza, para amar mais do que comprar, do que vender, para ser mais do que ter. Para viver mais do que crescer, do que ser barão, ser rei, ou mesmo dono do pedaço, de vidas cada vez mais sem valor.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo!


FELIZ ANO NOVO
João Carlos

Sabemos perfeitamente que exceto pelas festas, pelo feriadão, pelas expectativas, terça-feira, é um dia como o de segunda-feira, seu antecessor. Há... mas aí tem as expectativas.
Pensemos então como planejar o novo ano, este com um ingrediente especial, novos atores políticos, nova conjuntura, novos poderosos. Quem não está empregado e levantou bandeira, quererá seu lugar ao sol – expectativa individual – não importa se é capaz, mas este lugar ao sol terá que vir com sombra e água fresca de preferência, afinal foi o eleitor, o cabo eleitoral.

Expectativa Coletiva – A nova gestão terá que resolver todos os problemas da minha Cidade – ledo engano – os primeiros problemas a serem resolvidos serão os de caixa 2, em seguida, o déficit do caixa 1,  pagar os débitos de campanha, saciar os fornecedores e apoiadores, aí, novamente aí, se sobrar algum pensar em como iludir o povo e fazer alguma coisa, talvez mandar limpar a Cidade, lembremos um velho princípio de economia: “recursos escassos para necessidades ilimitadas”.

É obvio que existem as exceções – mas, apenas para confirmar a regra geral.

Expectativa Pessoal – Bem, essa é mais específica, porém em termos gerais, quem está acima do peso, promete-se emagrecer (coitados dos santos e do Deus, que terão que entrar nessa obrigação); Quem está magrinho quer engordar (são poucos); Há os que estão solteiros e juram que conseguirão alguém (do carnaval não passa), os que planejam estudar, criar seu negócio, viajar, mudar de cidade, viver (a palavra mágica) enfim... O ANO NOVO.
Falar dele, não se esgota em tão poucas linhas, mas traz a ESPERANÇA que precisamos para continuar esta vida, única, intransferível, e que só cada qual em seu tempo e espaço saberá vivê-la.

Feliz Ano Novo!

sábado, 18 de agosto de 2012


NOITES DE FRIO
Jony Reys


O espectro cai no horizonte, a negritude tinge o arvoredo
Rotineira no inverno que se arrasta tardia...
Segue... noites de frio, um coração petrificado pela vida
A tristeza já não deprime, já não importa...
O mal é só uma alternativa no navegar da existência
Não há mais juízo de valor
O tempo que se fora, cobra agora seu preço
No dobrar do corpo em desuso
O ocaso, cada vez mais perto, mais sentido
É mera presença lânguida, inerte
A labuta sem nexo... sem propósito, esvai-se
Na brisa indiferente ao sentimento
O franzir da face denota a falta de esperança
E o prazer esquecido, afoga-se
Na solidão, a sempre e eterna amiga
Na falta de desejos...
Apenas a espera indolente do sono eterno.



domingo, 4 de dezembro de 2011


A Coreia antiga

Ladeada de pedras “vivas”...
Minava aos montes rua abaixo.
Em tardes amenas, abrigava o “três, sete”, o “vinte e um”...
Às sombras de mangueiras envelhecidas, estéreis.
Tendais de peixes salgados, ressecos ao sol, se espalhavam.
A cisterna - água de gasto.
De um lado o barreiro, do outro o brejo.
Às noites, sonatas de pererecas e coros de sapos-boi – um inferno.
Sem falar das muriçocas, maruins, morcegos e corujas, grilos e pernilongos...
a despertar a ira dos caboclos e caboclas do mar.
Na esquina, a escuridão encobria amantes ocultos.
Na venda... Prateleiras vazias, empoeiradas,
Apenas umas poucas garrafas de “jacaré” e “milome”.
Nas madrugadas, os homens em fila, partiam para o “calão”.
Mais tarde, não muito, as mulheres a mariscar na maré baixa.
A vida nada fácil passava lentamente.
E no tempo? Ah... no tempo, a Coréia antiga tem muito pra contar...
... histórias de um passado que parece lúdico, cravadas por
Crioulos mulatos nas frontes das novas gerações.